domingo, 19 de agosto de 2012

De Mim


Quero que saibam
sou uma verdade inventada
por varias verdades

e varias vozes que, sonoras
entoam coros de lilases
e consagram doce, uma canção

Quero que saibam
que sou uma unica verdade
contada por vozes diversas

que nenhuma inverdade aconteça
por entre os versos que escrevo
dedicados à almas passantes

que no caminho há vontades.
verdades eternas e mais verdades
que nem tão eternas
ou simples
mas simplesmente
existente.


KIRO MENEZES



domingo, 17 de junho de 2012

Verso Branco


Não há outonos nos teus versos
pobres
singelos
honestos

Há branduras tantas que confesso
são humanos
desconexos
serenos

Soneto de versos brancos, solto em vento
derramado num silencio de lamento
chorado por cotovias de plantão



KIRO MENEZES



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Cicatriz


Feri-me no agudo tempo
pontiagudo e lanho
levou-me feitiço. Enfermo
ganhei-me noutro

e feri minha vaidade
fosse tola
ou verdade
fosse vela
e apagasse

Feri minha novidade
pois era o passado entranho
arraigado ao meu pensamento
raizado nos veios do sangue
que tormenta o desolamento

Feri o agudo tempo
com minha vaidade peçonha
e a novidade era raiz
do tormento dessa
vergonha





* Lanho: instrumento cortante
* Entranho: penetrar; embrenhar-se
* Peçonha: veneno





KIRO MENEZES