sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vozes Minhas


Ébria e tola
pestanejei
era manhã mansa e morna
e no mesmo tom d'um poema épico
soneto de Shakespeare
voz de Quintana
marulhei
chuva de palavras sonolentas
encarrilhadas sobre o orvalho da janela.

Era.
Foi.
Hoje sou eu quem caminha
passos lúdicos
caminhos extensos
de quem anda para onde não se sabe.

Lá, sou ébria e tola
e pestanejo vontades mansas
e mornas.
Nos tons épicos dos poemas
sou como Shakespeare e Quintana

Matéria de Poesia.



KIRO MENEZES



terça-feira, 20 de março de 2012

Orvalho


Dedilhei suas pétalas umidas,
lábios em riso fresco,
matutino.
Um cheiro de longevidade na pele,
um guardado de constelações nos olhos!

Dedilhei as palavras mudas
em melodias e afagos
o fascinar do trinado
que os beijos assoviam
em beijos de colibri!



KIRO MENEZES




segunda-feira, 19 de março de 2012

Ainda que...


Ainda que não note
a lágrima no canto do olho
o brilho marejado dos batimentos
os acanhamentos desnecessários...

Mesmo que desconheça
a dor que lava-me o peito
o sorriso que nasce involuntário
o estremecimento dos lábios...

Nem que haja outra aurora
num tempo nem tão distante
numa água nem tão profunda
ou comensuráveis infortúnios...

Ah! Meu amado,
o estarei ainda amando
deixando meu corpo de lado
tornando meu doce chamado
o nome que por si vai soprando...



KIRO MENEZES