segunda-feira, 19 de março de 2012

Ainda que...


Ainda que não note
a lágrima no canto do olho
o brilho marejado dos batimentos
os acanhamentos desnecessários...

Mesmo que desconheça
a dor que lava-me o peito
o sorriso que nasce involuntário
o estremecimento dos lábios...

Nem que haja outra aurora
num tempo nem tão distante
numa água nem tão profunda
ou comensuráveis infortúnios...

Ah! Meu amado,
o estarei ainda amando
deixando meu corpo de lado
tornando meu doce chamado
o nome que por si vai soprando...



KIRO MENEZES



quarta-feira, 7 de março de 2012

Inconsciente


Quero quando seus olhos verdes
esparramam-se
por sobre
meus pensamentos,

toda ao sabor, deixo-me
da brisa primaveril
que esse perfume
da tua aura
traduz a mim.

Guardo discretamente
cada dos modos os lábios teus
nas palavras que tu imprimes
- despudorado.

Desprega-as de si
lançando, impiedoso
significados
dormentes
à poeira
de minha estrada.

Não notas o desespero
nos batimentos
do meu coração?

Ah! não.
Sórdido e vão!
Pois
que importância atribuirias
ao desconsolo
do meu corpo
de não tê-lo
grudado a si,

pois então?

Quero quando seus olhos verdes 
se desapegam 
de ti sobre todos 
os meus sentidos!



KIRO MENEZES



quinta-feira, 1 de março de 2012

Das Plenitudes


Da plenitude que entendo
guardo sopro,
guardo vento.

Da plenitude que não entendo
guardo o gosto,
guardo o jeito.



KIRO MENEZES